Com muita freqüência discute-se qual o preço de uma antigüidade. Usam-se as mais variadas referências e comparações. Pegam-se cotações em moeda estrangeira, notadamente a norte-americana e se quer fazer uma conversão pura e simples. Como se os objetos, no mais das vezes, fossem iguais.
Na vida, nada é simples. Veja-se uma peça qualquer européia ou norte-americana. A Europa, colonizada há muito mais tempo, considera antigüidades objetos com 300 anos ou mais. Na América do Norte, como em nosso país, quaisquer 100 anos já é de bom tamanho.
Mas a comparação mais freqüente é mesmo com a América do Norte. Ainda há poucos meses, apareceu-me um cidadão com uma peça industrializada em 1870 e com uma folha impressa do google dando notícia de que uma igual fora vendida por 25 mil dólares. Como a impressão era de boa qualidade e trazia fotos, foi fácil perceber a comercializada lá estava em estado “mint”. Ainda na embalagem. O que o cavalheiro trazia junto a si era um objeto que pertencera a um bisavô e, por segurança, tinha sido mantida enterrada no nosso lindo e hospitaleiro solo tropical. Com a umidade que é característica por aqui, a fina camada de graxa – animal – e os antigos sacos de estopa foram uma proteção pobre. O metal estava carcomido, lembrando a superfície lunar. Do acabamento azul original nada restava. A madeira estava rachada e com indeléveis manchas de gordura. Avaliei a peça em R$ 100,00. E arrumei um inimigo!
Quando se falam, por exemplo, em rádios antigos. Muitos vieram da mesma América do Norte. Alguns europeus. Cujos preços são facilmente encontrados nos e-bay da vida. Mas a questão é a disponibilidade. Quandos desses equipamentos, produzidos nas fordianas linhas de montagem, foram distribuidos nos EUA? Não sei. Mas sei que o número deles que vieram para cá foi muitas vezes inferior. Peças que são comuns nos EUA aqui são raras. E isso muda muito o preço. Afinal, não é tão simples assim importar essas peças.
Igualmente para aparelhos telefônicos. Para se conseguir uma linha no Brasil, nos idos de 40 ou 50, só sendo amigo do próprio Getúlio Vargas, por exemplo. E a variedade de aparelhos era muito limitada.
Relógios de parede. Um Ansonia na sala era coisa de gente nobre. E olhem que os Ansonias eram industrializados em “modernas” linhas de montagem.
Bicicletas idem. Raras e caras. Mesmo as alemãs montadas aqui não eram para qualquer um. Quem tinha uma Philips já era chamado de doutor!
E isso se repete num sem número de artigos. De badulaques a jóias. Jóias têm seu valor intrínseco determinado apenas e tão somente pelo peso ouro e a qualidade das pedras. Tantos reais por grama ou quilate e ponto final.
Assim, e vou usar sem licença algo que lí do Jean Fabrìcio, o Velho Restaurador. O preço de uma antigüidade é o preço pelo qual o proprietário concorda em se desfazer da peça e que um futuro proprietário se disponha a pagar por um capricho. Nem mais, nem menos.